Denise (MT), 01 de abril de 2020 - 06:02

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Curiosidades

09/03/2020 09:01

Mulheres desafiam machismo e conquistam espaço na aviação

A predominância absoluta dos homens na aviação vem, aos poucos, sendo desafiada por mulheres dispostas a conquistar os ares.

De acordo com um estudo mais recente divulgado Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), relativo a 2018, houve um crescimento de 106% nas emissões de licenças emitidas a mulheres, excluindo as de comissário de bordo, onde historicamente havia mais profissionais do sexo feminino.

Apesar desse crescimento, o setor da aviação é ainda muito masculinizado e as mulheres ainda são minoria na classe dos pilotos, por exemplo. Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8), o MidiaNews conversou com algumas mulheres pilotos que escolheram fugir do óbvio e seguir a carreira.

A mineira Camila Mello tem 27 anos e é piloto desde 2015, quando concluiu o curso de aviação em Mato Grosso. Segundo ela, a paixão pela aviação surgiu ainda quando criança, aos seis anos.

“Nessa época eu tinha feito minha primeira viagem de avião e também era a primeira vez que viajava sozinha. Eu tinha uma tia que morava em Brasília, e ela me mandou a passagem para visitá-la. Aquilo pra mim foi fantástico. Conheci a cabine do piloto, a comissária conversava comigo o tempo inteiro... E dali em diante nunca mais quis saber de outra coisa”, conta.

A jovem nasceu em Uberlândia (MG) - onde deu o pontapé em sua carreira de piloto -, mas logo se mudou para Cuiabá, para terminar as aulas e conseguir um emprego na profissão que escolheu. Hoje, com 300 horas de voo, ela pilota aeronaves bimotor como Seneca 5 e Cheyenne 2.

“Lá [em Minas] era muito difícil. Muita panelinha no meio da aviação. Em Mato Grosso há mais oportunidades. Aqui entrei na faculdade, fiz pilotagem profissional de aeronaves, e fui conhecendo pessoas do ramo”, diz.

Compartilhando do mesmo sonho, a mato-grossense Lilian Gabriela Rodrigues, de 28, também decidiu que seria piloto ainda na infância.

Arquivo pessoal

pilotos

Lilian Gabriela Rodrigues, de 28 anos, também decidiu que seria piloto ainda quando era criança

Ela, que contabiliza 400 horas de voo, lembra que os seus olhos sempre brilhavam quando ouvia o barulho de alguma aeronave passando sobre sua casa.

Quando pôde escolher a profissão, não houve como escapar do destino. A família a apoiou. Filha de garimpeiro e pecuarista, a jovem também concluiu o curso em 2015, na Capital, e decidiu atuar em voos rurais, o que despertou a preocupação do pai.

“Meu pai espera, na verdade, me ver na viação executiva ou comercial. Ele não me apoia voar agrícola, que é de fato o meu intuito dentro da aviação. Mas a rotina desses profissionais é umas das mais perigosas do Mundo. Mas a minha rotina é de estar no garimpo ajudando ele ou no Pará cuidando do gado. Sou muito interiorana, gosto muito de estar no campo".

Ao contrário Lilian, os familiares de Camila não gostaram quando ela anunciou que queria se tornar piloto.

“A minha mãe tinha muito medo do avião cair. As pessoas falavam que era uma profissão muito cara, que eu não ia ter dinheiro pra me formar, que era pra eu desistir. Mas depois que comecei a fazer o curso, ninguém falou mais nada, e hoje me apoiam. Durante a caminhada recebi muita ajuda deles também, cheguei a fazer rifas... E praticamente quem comprou todas foi a minha família, porque eu precisava de dinheiro para pagar as provas. Hoje eles são meu time de apoio”, diz Camila.

Preconceito, machismo e assédio

Assim como em muitas profissões, as mulheres ainda são alvo de machismo, preconceito e até assédio na aviação.

Segundo Camila, o preconceito e o machismo vêm em forma de piadas, em sua maioria feitas por pessoas fora do ramo, diz. No entanto, há os “olhares tortos” dos que estão entrando na aviação.

“É uma profissão muito disputada, um mercado muito pequeno. Já recebi olhares de pessoas que estavam começando como se eu não tivesse o direito de estar ali, como se eu não fosse capaz, mas nada que me aborrecesse ou me atrapalhasse. Sempre soube lidar com isso”, afirma a piloto.

Já Lilian conta que soube de episódios de preconceito contra colegas de profissão, mas que nunca passou por nenhuma situação desconfortável. De acordo com ela, o problema na maioria das vezes são as esposas dos comandantes e empresários para os quais trabalhou.

“[Elas] ficavam um tanto desgostosas e muitas vezes até impediam que eu voasse como copiloto por ser mulher. Acredito que, por ciúmes, insegurança... Infelizmente não pensaram que o que havia ali era um sonho, um projeto que envolve muita dedicação e amor” diz Lilian.

Além disso, a piloto também lembrou os assédios cometidos pelos comandantes de aeronaves durante os voos.

“Nessa profissão você precisa somar horas, e já fui assediada por alguns comandantes durante os voos com aquela história de: ‘Te ajudo e você me ajuda’”.

Luta pela igualdade

Os episódios de assédio, machismo e preconceito não desanimaram as profissionais, que relatam o orgulho por terem conseguido realizar os seus sonhos.

As profissionais acreditam que a falta de mulheres na aviação pode se dar em razão do alto custo do curso, o suposto “glamour” da profissão e a falta de divulgação.

Além disso, muitas desanimam por causa dos afazeres, como cuidar dos filhos, a falta de apoio, por ser considerada uma profissão de “capricho” e não necessidade, entre outros motivos

“A profissão piloto ainda é olhada como algo masculino, não é algo que desde o começo as pessoas já olham como de homem e mulher. Tem mulher que não se desperta para isso, são poucas as que têm contato ou entendem como funciona. E as que querem, quando vão atrás, percebem que é uma profissão que exige um pouco de dinheiro, é um processo caro, por isso muitas acabam desistindo. Enfim, você precisa de uma rede de apoio, tanto para tempo de estudo como para o financeiro. Então isso também acaba prejudicando um pouco”, explica Camila.

Arquivo pessoal

pilotos

As mulheres ainda são a minoria entre os que pilotam avião

“Acredito que são poucas mulheres porque, assim como em muitas outras profissões, existe um tabu do que nós não podemos e temos capacidade de desenvolver”, opina Lilian.

Apesar das dificuldades, ambas disseram que se orgulham da profissão que escolheram. E em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, ressaltaram que a luta pela igualdade continua.

“Eu vejo hoje, em um dia como esse, que é especial a ser lembrado, que nós temos o mesmo direito que os homens. Não queremos nada superior, apenas igual. O direito que qualquer ser humano precisa que é o de ir e vir, e também de se expressar. Não podemos apagar a luta das mulheres que houve há um tempo atrás. Um dia dedicado a elas é mostrar que a nossa voz não pode ser apagada”, afirmou Camila.

“Essa data representa pra mim uma oportunidade de pararmos pra refletir e valorizar os muitos papéis que atuamos desde a hora que acordamos até a hora de ir dormir. Somos donas de casa, mães, esposas, motoristas, administradoras, cozinheiras, maquiadoras, cabeleireiras, artesãs, estudantes, tudo isso e às vezes muito mais, em um só dia”, resume Lilian.

 
 
Fonte:https://www.midianews.com.br/ 
 
 

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