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22/03/2018 17:53

Mulher denuncia médico por cirurgia desnecessária e negligência

A Prefeitura de Tapurah criou uma comissão para avaliar todos os casos denunciados e instaurou uma sindicância para apurar a conduta do médico. Além disso, o contrato com o médico foi cancelado.

O médico Júlio Cesar da Silva, diretor do Hospital Municipal de Tapurah (433 km de Cuiabá), foi afastado do cargo e impedido de atender ou realizar cirurgias após a Secretaria Municipal de Saúde receber diversas denúncias sobre erros médicos por parte do profissional, que possui registro para atuar em Mato Grosso e Goiás.

"O médico veio e me disse que não haveria corte e que não precisa de exame de sangue pré-operatório, porque não seria cirurgia, então eu confiei”, relatou.

Ao , a paciente Luciana dos Santos Barbosa Lima, de 36 anos, disse que o médico fez uma cirurgia nela de risco, sem necessidade e sem o consentimento dela e da família. Ela relatou que foi submetida a uma cirurgia, há seis meses atrás, para a retirada do útero e que mesmo após um bom tempo, continuava apresentando sangramento, então ela foi ao médico questionar o que ocorria.

“Eu não sentia mais dores, mas ficava o tempo todo saindo tipo uma "água" que não tinha cheiro, nada, mas me incomodava, pois eu tinha que usar absorvente o tempo todo. Aí eu fui me consultar com ele e expliquei que me sentia desconfortável com isso e ele falou que se tratava de um ponto inflamado e que ele iria fazer uma pequena intervenção para remover, sem corte nem cirurgia”, explicou Luciana.

"Então quando entrei na sala dele, eu já fui logo perguntando por que o senhor me cortou, doutor? Ele disse que estava com uma dúvida! E eu respondi o senhor não tem que ter dúvidas, o senhor tem que ter certeza, o senhor é o médico!”

Conforme a paciente, no hospital a equipe de enfermagem começou os procedimentos que ela entendeu que seria cirúrgico.

"Falei para a enfermeira: olha, o médico não vai me operar não, né? Eu não estou em jejum, sou cardíaca e tem algumas anestesias que não pegam em mim. O médico veio e me disse que não haveria corte e que não precisa de exame de sangue pré-operatório, porque não seria cirurgia, então eu confiei”, relatou.

Quando percebeu que estavam iniciando os procedimentos pré-operatórios,  ela novamente teria questionado o médico.

"O senhor se lembra que falou comigo que não precisaria cortar? O senhor se lembra que eu sou cardíaca? Doutor, eu não fiz jejum. Outra coisa, anestesia comum não pega em mim, mas ele me disse que eu poderia ficar tranquila que não iria me cortar. Aí aplicaram algo na minha veia e eu apaguei e acordei depois de umas quatro horas”, conta Luciana.

Quando despertou, Luciana já estava no quarto e ao passar a mão na barriga percebeu que havia um curativo e um corte maior que o de uma cesárea.

“Assim que eu acordei e me vi cortada, entrei em desespero, fui andando com dificuldade até a sala dele, porque ele simplesmente não foi me ver e a enfermeira disse que ele não iria até mim para me atender. Então quando entrei na sala dele, eu já fui logo perguntando por que o senhor me cortou, doutor? Ele disse que estava com uma dúvida! E eu respondi o senhor não tem que ter dúvidas, o senhor tem que ter certeza, o senhor é o médico!”, falou Luciana indignada.

Segundo ela, o médico alega que abriu o abdômen para tirar uma dúvida, mas ela afirma que qualquer problema poderia ter sido investigado por meio de exames mais detalhados, antes de realizar uma intervenção cirúrgica.

“Ele deveria ter feito um exame de ultrassom, ou qualquer outro exame antes de me abrir. Se eu soubesse que ele iria me operar, eu teria procurado outro médico antes. Mas ele não me contou, me falou o tempo inteiro que iria fazer um procedimento simples apenas para remover um ponto interno que estava inflamado”, reclamou.

“A Secretaria abriu uma sindicância para apurar estas denúncias e assim que recebemos a primeira reclamação solicitamos que as cirurgias marcadas por ele fossem suspensas", declarou o secretário de Saúde.

Outros casos

O secretário de Saúde da cidade, Marco Antonio Felipe disse ao que outros casos de erro médico cometidos por Júlio Cesar também foram denunciados ao Município, mas negou repassar informações a respeito das denúncias.

A Prefeitura criou uma comissão para avaliar todos os casos e instaurou uma sindicância para apurar a postura do médico. Além disso, o contrato com o médico foi cancelado.

“A Secretaria abriu uma sindicância para apurar estas denúncias e assim que recebemos a primeira reclamação solicitamos que as cirurgias marcadas por ele fossem suspensas. Ontem decidimos cancelar o contrato com ele, portanto ele já não pode mais atender pacientes no hospital”, disse o secretário.

Segundo o secretário já foi solicitado o prontuário de todos os pacientes do médico Júlio Cesar, mesmo os casos que ocorreu tudo bem, além de outras documentações para montar o processo que será encaminhado ao Conselho Regional de Medicina (CRM).

“Para nós, o médico disse que vai responder por cada caso e que cabe à Justiça determinar o que foi ou não erro por parte dele”, disse o secretário.

Outro lado

A reportagem manteve contato, por telefone, com o médico, mas ele se recusou a falar sobre o assunto. Disse apenas que não sabia dos casos e indicou que o  procurasse a Prefeitura.

“Olha, eu não sei destes casos. Não posso falar agora, então procure a Secretaria de Saúde que eles podem te responder”, disse o médico que em seguida desligou o telefone.

 

Denúncias ao CRM

A assessoria de imprensa do CRM de Mato Grosso informou que o médico Julio Cesar da Silva ainda não foi alvo de nenhuma denúncia ou condenação pública.

O CRM já abriu sindicância para analisar os casos e aguarda o processo que é levantado pela Prefeitura de Tapurah para complementar as investigações.

“O CRM, independente de uma denúncia formal ou de receber qualquer material da Prefeitura, já inicia as investigações para apurar a conduta do profissional. No decorrer das investigações, serão ouvidos os pacientes, médico, testemunhas, profissionais e também coletados outros materiais que possam ajudar nas investigações”, disse a assessoria.

Já o Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) informou que recentemente nenhum processo público contra o médico foi registrado nesta regional, mas que processos por erro médico tramitam em sigilo, portanto caso tenha algum, não é possível confirmar. No CRM de Goiás, o médico nunca foi punido publicamente por erros.

REPORTERMT


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